Esse é, sem sombra de dúvidas, um dos tópicos mais sensíveis, importantes e que mais geram ansiedade em quem está planejando um intercâmbio: a busca por emprego.

Vamos começar pelo ponto mais crucial de todos. Antes de fechar a mala, você precisa entender as regras do país para onde está indo. Esse destino permite que você trabalhe legalmente com visto de estudante? Ele permite converter o visto de turista para o de trabalho estando lá dentro?

Eu sei que existem milhões de pessoas trabalhando de forma irregular pelo mundo. Mas eu, particularmente, não recomendo isso de jeito nenhum. O risco de pagar multas pesadas, ser deportado, preso ou ficar preso a subempregos sem contrato nenhum pode destruir o seu sonho e transformar a experiência em um trauma.

"Ah, Guilherme, mas eu preciso trabalhar. Não tenho como me sustentar lá fora por muito tempo sem renda". Eu sei. Acredite em mim, a minha realidade era exatamente essa quando fui para Malta. É por isso que você precisa escolher o país de destino com a cabeça, e não só pelo coração.

4 conselhos que eu gostaria de ter recebido antes de embarcar

1. Faça contato com brasileiros que já estão lá

As regras de imigração e o mercado de trabalho mudam constantemente. E vou te contar um segredo: o que está escrito no site oficial do governo, na prática, muitas vezes funciona de um jeito completamente diferente. Só quem vive o dia a dia do país sabe como as coisas realmente funcionam.

Busque no LinkedIn, no Facebook e em grupos de WhatsApp por brasileiros que moram no seu destino. Peça conselhos, tire dúvidas sobre a burocracia, pergunte se o mercado está aquecido ou parado, se é fácil conseguir visto. Pergunte tudo.

Em Malta, por exemplo, o mercado se move muito por grupos de WhatsApp para divulgar vagas. Tente entrar nesses grupos ainda no Brasil. Mesmo que a maioria exija entrevista presencial, você já vai desembarcar sabendo quais vagas estão saindo mais, quais são as empresas locais e a média salarial real.

2. Deixe o seu ego no aeroporto do Brasil

Esse é o principal erro de quem muda de país: achar que com ele vai ser diferente. Achar que vai chegar e, em duas semanas, conseguir um emprego de escritório, em uma empresa multinacional legal, ganhando super bem.

Talvez isso te desmotive um pouco agora, mas a realidade nua e crua é que não funciona assim.

Quando você se torna um imigrante, parece que todo o seu histórico profissional no Brasil simplesmente desaparece. Você deixa de ser o "Guilherme que trabalhava no banco" e vira só mais um estrangeiro disputando vaga. Isso mexe muito com o nosso ego. Dá uma sensação de que todo o nosso esforço anterior não serviu de nada.

Mas calma. O seu objetivo principal é viver a experiência, estudar ou morar fora. Interprete o trabalho de transição como uma etapa necessária, um meio para um fim. Isso não define quem você é.

Em Malta, eu trabalhei como cleaner em balada, em casa de família, em bar e em vários Airbnbs. Era cansativo? Muito. Mas depois do expediente, eu ia para a praia, ia para as festas e curtia com pessoas do mundo inteiro.

No Brasil a gente pensa: "Nossa, eu não conseguiria limpar o banheiro de um bar". Deixa eu te falar uma coisa: sim, você consegue. E é muito menos torturante do que parece na sua cabeça.

3. Prepare o bolso para as taxas de documentação

Trabalhar legalmente custa dinheiro. Em Malta, a empresa que te contrata pode ou não arcar com o seu work permit. No meu caso, a empresa não pagou. Eu tive que arcar com absolutamente tudo do meu próprio bolso. Confira o meu extrato de despesas da época:

Se planeje para ter de onde tirar esse valor caso a sua futura empresa não pague. Nem que você precise levar uma reserva extra ou ter um cartão de crédito internacional de confiança engatado para emergências.

4. O Brasil não tem o monopólio dos golpes

Existe um mito de que o Brasil é o único lugar perigoso do mundo e que a Europa é um conto de fadas perfeito. É a maior mentira do universo.

Em qualquer lugar do mundo existe golpe, corrupção, malandragem e gente querendo passar a perna em imigrante inocente. Então, mantenha o seu "desconfiômetro" brasileiro ligado.

Antes de pagar o depósito de uma casa que você só viu por foto, ou aceitar uma proposta de emprego estranha que promete dinheiro fácil, cheque tudo. Pergunte nos grupos, pesquise o nome da empresa e nunca mande dinheiro adiantado sem garantias reais.

A busca por emprego no exterior vai te testar de todas as formas possíveis. Mas se você vier consciente, sem romantismo e pronto para o trabalho, o mundo se abre para você.