Se você odeia clichê e papo furado de coach motivacional, está no lugar certo. Então, confia no que eu vou te dizer agora: não existe idade limite. O que existe é vontade e abertura para viver o novo.

Quando decidi largar o banco em 2024, aos 28 anos, eu fui morrendo de medo. Estava preocupado com a minha idade, achando que já tinha passado da fase de hostel, e apavorado com o que aconteceria com a minha carreira.

Chegando lá, o choque de realidade foi imediato. Fiz amizades profundas com pessoas muito mais velhas e muito mais novas do que eu. Cada uma com a sua própria história, suas vidas e suas motivações.

A obsessão brasileira com a idade

Uma das principais críticas que eu faço ao Brasil hoje, depois de ter vivido fora, é essa nossa preocupação constante com a idade. A gente vive com uma sensação constante de que está ficando velho, de que o tempo acabou e de que é proibido sair da curva para tentar algo diferente.

Na Europa, essa lógica simplesmente não existe.

Para você ter uma ideia, no meu trabalho em Malta eu dividia a mesma função com pessoas de 17, 19, 24, 30, 34 e 45 anos. Ninguém se importava. Todo mundo estava ali pelo mesmo objetivo. Eu dividi apartamento com um imigrante de 55 anos. Estudei espanhol no Peru com uma mulher de 65.

Então, me responde: como a gente tem a audácia de colocar uma idade máxima para um intercâmbio?

O que importa de verdade

Aqui, o jogo é outro. O que importa não é a sua idade, mas sim se você quer isso de verdade e se está disposto a fazer acontecer.

Se você me disser: "Ah, Guilherme, eu até gostaria de fazer...", o meu conselho sincero é: não vá. Talvez você se frustre lá na primeira semana, porque morar fora não é uma prioridade real para você.

Agora, se você me disser: "Guilherme, eu quero muito. Essa vontade está entalada na minha garganta faz tempo. Eu amo conhecer pessoas, culturas e lugares novos". Aí, meu amigo, eu te digo: não tenha medo.

A satisfação de realizar algo que você deseja genuinamente vai superar qualquer perrengue ou obstáculo do caminho.

O conselho de ouro

Organize-se, prepare o bolso, prepare a mente e .

Olhe para trás, para a sua própria vida no Brasil. Pense no tanto de situações difíceis que você já passou, em momentos em que achou que não daria conta, e veja o quão capaz você foi de resolver tudo. Você vai ser capaz de fazer o mesmo lá fora, mesmo estando sozinho.

Você não vai saber tudo no primeiro dia. Vai ser tudo completamente diferente do que você imaginou. E quer saber? Está tudo bem.

E lembre-se do seu maior superpoder como intercambista: você sempre vai poder voltar para o Brasil. Você não vai ficar preso lá fora contra a sua vontade. Se der tudo errado, o que é o pior cenário? Voltar para a sua vida normal, só que com a bagagem de ter tentado.

Referências reais importam

Pare de assistir a vídeos de jovens de 18 anos dizendo "saí da escola, vim para a Nova Zelândia, comecei uma faculdade e estou super empregado". Essa não é a realidade da maioria.

Comece a consumir conteúdos de pessoas reais, que vivem a sua realidade. Procure histórias de quem diz: "Terminei um relacionamento longo, criei meus filhos, decidi sair do meu emprego de anos e vim aprender inglês do zero na Europa aos 59 anos".

O intercâmbio não pertence aos jovens. Ele pertence a quem tem coragem de recomeçar.

Vou deixar um podcast em inglês que assisti em 2024 e mexeu bastante comigo (já vai testando seu inglês): TED Talk — Using first-time experiences to overcome fear